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Artigo de Opinião

13/08/2022 06:30

Vamos lá então!

A aproximação dos eleitores a determinado projeto político é um fenómeno dinâmico. Umas vezes mais empática, outras menos, mesmo quando liderados pelos mesmo atores. Entre 2013 e 2017, a Madeira e o PSD viveram um processo natural, mas com alguma dor, de sucessão da liderança. Estranho seria o contrário, depois de quase 4 décadas de grande transformação, sob uma égide tão carismática como a de Jardim. Ainda que o PSD tenha conseguido manter os destinos da Região, debateu-se com uma oposição muito mais agressiva e com poder de facto, nomeadamente autárquico, que "competia" com a hegemonia laranja. Parece indiscutível afirmar que as eleições de 2019 foram as mais difíceis da sua história, mas constituíram-se como incubadora para o renascimento como partido "dominante" do nosso sistema regional. E não há aqui qualquer imperfeição democrática, comum em democracias tão consolidadas como o Japão, a Suécia, alguns dos Estados do Canadá, EUA ou Alemanha, onde o grau de empatia e identificação do eleitorado e quem governa permite pouco espaço às fundamentais oposições. Posto isto, e depois de ter sabido constituir uma coligação que permitiu estabilidade governativa, ter enfrentado com coragem, liderança e determinação a crise sanitária, social e económica inerente à pandemia, e de ter vencido de forma retumbante as autárquicas de 2021, o PSD de Miguel Albuquerque vive o seu momento mais confortável e de maior popularidade junto da população madeirense.

Albuquerque referiu diversas vezes que o partido irá coligado em 2023. Tal foi, inclusive, aprovado em Congresso. E essa é uma decisão que lhe assiste, e que é respeitável à luz da estabilidade e da solidariedade com o nosso parceiro júnior. Mas caso optasse por concorrer sozinho, não oferecem muitas dúvidas de que obteria uma maioria absoluta que rivalizaria com os melhores resultados de sempre.

O PS parece ter voltado ao seu estado natural, após a perda de encantamento de Cafôfo, e na sequência da estrondosa derrota no Funchal. Percebem-se uma rede de intrigas internas, novas/velhas cumplicidades, um clima de guerrilha, encimado por um "líder" que, tendo dados concretos da sua inexpressão pública, foi obrigado a poluir a ilha de cartazes em plena Silly Season. Impagável! Poderá perder mais de metade do grupo parlamentar, qualquer que seja o candidato, o que exponenciará as divergências internas, incapazes de saciar as clientelas. Com este cenário, Cafôfo terá, por uma vez, de cumprir a promessa de não sair de secretário de Estado para ser candidato.

Quem poderá reverter o plano inclinado, mais por fortuna dos calendários eleitorais do que por mérito político, é o JPP. Impossibilitado de se recandidatar, Filipe Sousa verá na Assembleia um refúgio de carreira política, roubando alguns mandatos ao PS.

O Chega capitalizará alguma da visibilidade de Ventura, mas a falta gritante de quadros e a capacidade do eleitorado madeirense em separar atos eleitorais, o limitará ao espaço que já foi do PND ou do PTP.

Quem me parece que não conseguirá, mesmo, aproveitar o hype nacional é a IL. A principal razão, sejamos claros, é a escassez de liberais num partido que levanta esse estandarte. Criticar uma baixa histórica do IRC nos concelhos nortenhos, traindo o resultado obtido em São Vicente, é motivo para questionar se estas pessoas estão no partido certo. E se conhecem a sua própria Região. Não admira que não crie empatia com o eleitorado, e que os verdadeiros liberais se mantenham distantes.

Se a invasão da Ucrânia se mantiver, e os eleitores tiverem memória, o PCP perderá a representação parlamentar, que o BE dificilmente capitalizará pela ausência de liderança e por ter perdido, por estes dias, aquele que poderia ser o seu candidato.

Assim, o PSD não deve dormir à sombra do bom trabalho. Os eleitores são sabiamente exigentes, não existindo, e bem, lugar para estados de alma. Cabe ao governo, e já agora às câmaras laranja, prosseguir o caminho de transformação, sempre inacabado, pois atrás de desafios, vêm outros. As realidades, as conjunturas, os movimentos sociais e os contextos económicos estão em constante mudança, e é necessário manter o foco e a dinâmica. Mas que o momento é animador, não oferece grandes dúvidas.

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