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Artigo de Opinião

31/03/2025 07:30

A recente decisão do CDS-Madeira de voltar a coligar-se com o PSD-Madeira após as eleições regionais de 23 de março de 2025, surge como um passo previsível dentro do panorama político madeirense. Tal como aconteceu em 2019, este acordo garante a estabilidade governativa ao assegurar a maioria parlamentar na Assembleia Regional, onde o PSD conquistou 23 deputados e o CDS um. Além disso, o partido volta a assumir responsabilidades governativas, ficando à frente da Secretaria Regional da Economia. Mas o que motiva esta decisão e quais podem ser as suas consequências?

Em primeiro lugar, a estabilidade governativa surge como a principal justificação para esta aliança. Sem maioria absoluta, o PSD-Madeira necessitava de um parceiro para garantir uma governação sem sobressaltos, especialmente após o último ano e meio extremamente turbulento e que levou à realização de dois atos eleitorais em pouco menos de um ano. O CDS-Madeira, por sua vez, encontrou nesta coligação a oportunidade de continuar a exercer influência direta nas políticas regionais, evitando um cenário de instabilidade que poderia comprometer o desenvolvimento da região.

Outro fator relevante é o histórico de cooperação entre os dois partidos. Desde 2019, o CDS-Madeira tem colaborado ativamente com o PSD-Madeira na governação regional, mostrando que esta parceria funciona como um pilar de estabilidade e continuidade. A manutenção do acordo reflete não apenas a necessidade de governabilidade, mas também uma estratégia política do CDS para permanecer relevante no cenário madeirense, especialmente num contexto onde a sua base eleitoral tem vindo a diminuir face ao aumento da concorrência no espetro da direita madeirense e a dificuldade do partido em se ajustar ao novo discurso.

Além disso, a participação no governo regional concede ao CDS um protagonismo que dificilmente teria se permanecesse na oposição. Ao assumir a Secretaria Regional da Economia, o partido terá a oportunidade de implementar políticas e marcar a sua presença na governação. A presença no governo pode permitir ao partido demonstrar competência e relevância na condução dos destinos da região, como o fez em 2019-2023.

No entanto, este protagonismo pode ser uma faca de dois gumes. Se, por um lado, fortalece a sua posição política, por outro, aumenta o risco de ser visto como um partido submisso ao PSD, perdendo a sua identidade própria. De facto, a médio e longo prazo, há o risco de uma crescente “dependência” do PSD-Madeira, o que pode comprometer a sua autonomia política e dificultar a afirmação de uma identidade distinta junto do eleitorado. Outro desafio prende-se com a responsabilidade partilhada da governação. Ao integrar o executivo, o CDS não só participa nos sucessos, mas também arca com o peso das decisões impopulares que possam ser tomadas. Qualquer crise política ou económica será inevitavelmente associada aos partidos que compõem o governo, o que pode afetar a sua imagem pública.

Pelo que, sem prejuízo do acordo celebrado e o respeito pelas políticas comuns, cabe ao CDS adotar várias estratégias que lhe permitam manter a sua identidade política e, ao mesmo tempo, beneficiar da participação no governo regional. Em primeiro lugar, definir uma agenda própria e visível, garantindo que tem bandeiras políticas claras e distintas dentro do governo, promovendo medidas que reflitam os seus valores e prioridades, como o apoio às pequenas e médias empresas, a economia social e a defesa da família. Além disso, deve comunicar de forma eficaz as suas conquistas dentro da governação, destacando as medidas que são fruto da sua intervenção direta. Outro ponto essencial é a diferenciação na comunicação pública, evitando alinhar-se cegamente com o discurso do PSD e adotando uma comunicação própria, reforçando as diferenças ideológicas e programáticas sempre que possível.

Em suma, a renovação da coligação entre o CDS-Madeira e o PSD-Madeira representa uma decisão pragmática, ancorada na necessidade de garantir estabilidade governativa e na continuidade de uma parceria que já provou ser funcional. No entanto, para o CDS-Madeira, o desafio será encontrar um equilíbrio entre os benefícios da participação no governo e a preservação da sua identidade política. Se o partido conseguir afirmar-se como um ator relevante e diferenciado dentro do executivo, poderá sair reforçado desta aliança.

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