No próximo dia 27 de março, pelas 18h00, o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato será palco do lançamento de um livro que homenageia Elisabeth Phelps, uma mulher notável do Funchal oitocentista, cujo nome permanece vivo na toponímia da cidade. A obra, editada pela Letras Lavadas, é assinada por Cláudia Ferreira Faria e conta com um prefácio de Dora Gago, professora integrada no CHAM da Universidade Nova de Lisboa e ex-diretora do Departamento de Português da Universidade de Macau.
Elisabeth Phelps, nascida Dickinson, deixou a Inglaterra para se juntar ao marido, Joseph Phelps, cuja família residia na Madeira desde 1784. Mulher de personalidade forte, dividia o seu quotidiano entre a gestão doméstica de uma casa com onze filhos e vários criados, e o seu ativo envolvimento na sociedade madeirense. Destacou-se na área social e cultural, promovendo a educação de meninas carenciadas através da Escola Lancasteriana e organizando serões literários, musicais e teatrais na sua residência.
“Elisabeth Phelps foi uma mulher do seu tempo, mas também à frente do tempo”, refere a autora, que sublinha que o seu legado está espelhado não apenas na história da Madeira, mas também no impacto que teve nas comunidades locais e britânicas.
Pioneira também na consciência ambiental, incentivava os seus convidados a plantar uma árvore na Quinta do Prazer sempre que ali se reuniam. Além disso, organizava excursões pela ilha, evidenciando um espírito aventureiro e independente pouco comum às mulheres da sua época, lembra ainda.
O livro traça o percurso de vida de Elisabeth Phelps desde a sua chegada ao Funchal até ao regresso a Londres, em 1860. Segundo a autora, Cláudia Ferreira Faria, esta obra é o resultado de uma investigação iniciada em 2008 sobre a família Phelps, um clã ligado ao vinho, ao bordado e ao ensino na Madeira oitocentista. O objetivo é divulgar a relevância desta família e contribuir para um melhor entendimento da história da Madeira.
A investigação da autora tem sido apresentada em colóquios e publicadas em revistas nacionais e estrangeiras, reforçando a importância dos Phelps na história económica e social madeirense.