A noite foi de nervos, mas terminou em bem para a Iniciativa Liberal (IL), que conseguiu manter um lugar na Assembleia Legislativa da Madeira, com a eleição de um deputado, tornando-se a sexta força mais votada.
No Castanheiro Boutique Hotel, onde o partido acompanhou a noite eleitoral, o ambiente oscilou entre serenidade e apreensão, especialmente após a divulgação da sondagem da RTP que apontava a possibilidade de a IL eleger entre zero a dois deputados. Sara Jardim, número três da lista, foi a primeira a reagir, com cautela, dizendo que aguardariam o resultado final com “serenidade”.
E assim o fizeram até que os aplausos encheram o espaço, quando chegou a confirmação de que a IL tinha eleito um deputado. “Gonçalo, Gonçalo”, entoavam os militantes, simpatizantes e candidatos presentes na sala.
Gonçalo Camelo, que foi recebido com abraços e entusiasmo pelos presentes, assumiu que esta foi uma eleição “um tanto difícil” e agradeceu aos eleitores pelos cerca de 3.100 votos conquistados pelo IL.
“O nosso objetivo mínimo está assegurado. A Madeira continuará a ter um deputado liberal, responsável, moderado e que tentará fazer a diferença no parlamento”, destacou, reconhecendo que esperava mais.
“Não estamos absolutamente satisfeitos com esta votação, mas estamos, obviamente, contentes por termos merecido a confiança dos madeirenses e podemos continuar a ter um deputado na Assembleia Legislativa. Tenho muita pena que não tenhamos chegado ao grupo parlamentar”, disse, entendo que isso daria a oportunidade de fazer “coisas diferentes”.
Apelo a um governo estável
Camelo disse não haver dúvidas da vontade expressa pelos madeirenses que decidiram reforçar a votação no PSD que “irá seguramente formar governo”, mas deixou um apelo endereçado a Miguel Albuquerque: “Consigam de uma vez por todas criar condições para termos um governo estável, um governo para 4 anos. Os madeirenses não querem mais eleições, a Iniciativa Liberal não quer mais eleições”, sublinhou.
Questionado se a queda – de quase 400 votos - dos votos do IL nestas eleições poderá ser motivada pela mudança da coordenação do partido – antes a cargo de Nuno Morna -, Gonçalo Camelo respondeu que é resultado, seguramente, de” vários fatores”.
“Tivemos uma campanha difícil, um contexto político difícil, em que todos os partidos da oposição acabaram por ser penalizados. É essa a mensagem que o eleitorado transmite, bem ou mal, responsabilizando pela instabilidade que foi criada”, reforçou. Ainda assim, destacou que foi uma “votação digna e meritória”.
Caso venha a receber uma chamada de Miguel Albuquerque, Camelo foi perentório: “Com um Governo liderado pelo Doutor Albuquerque, não estaremos disponíveis para colaborar. Seremos uma oposição responsável, moderada, e criaremos todas as condições para que a Madeira tenha um Governo para quatro anos”, afiançou.
Face aos resultados de hoje, questionado se valeu a pena a moção de censura, Camelo defendeu a posição do partido. “Quando se é confrontado com determinada realidade, não há duas alternativas, só há uma. Uma moção de censura que foi apresentada como consequência de um Governo regional ser presidido por um arguido e incluir no seu elenco mais quatro arguidos é uma moção de censura que a Iniciativa Liberal nunca podia deixar de votar, viesse de onde visse”, salientou, frisando que, se fosse hoje, fariam exatamente a mesma coisa.